16/09/2011 - 08h27
A festa da maconha na PUC é um problema?
O problema da festa da maconha, entre outras manifestações desse tipo, é o seguinte: em vez de tirar, reforça o charme do uso da droga. No final, fica o debate entre a repressão, simbolizada pela polícia, e os jovens que pregam a liberdade. De qual lado os jovens tendem a ficar?
Como o leitor sabe, acho que a descriminalização da maconha seria um mal menor. Não é um assunto policial, mas de saúde pública.
No caso do cigarro, visto com algo charmoso por muitas gerações, há um esforço de mostrar seu efeito no corpo. E aí não tem nada de charmoso. É gente ganhando dinheiro para produzir câncer.
Quando se coloca o debate entre polícia versus maconha, parece que a droga simboliza liberdade. E não é liberdade.
A maconha pode ser muito menos nociva do que o cigarro, a bebida ou outras drogas, mas ainda assim é um problema de saúde. Há uma série de estudos mostrando como o abuso da maconha tende a afetar a memória, dificultando o desempenho escolar e profissional.
Ter essas habilidades reduzidas significa perder autonomia --e, portanto, liberdade.

Gilberto Dimenstein, 54, integra o Conselho Editorial da Folha e vive nos Estados Unidos, onde foi convidado para desenvolver em Harvard projeto de comunicação para a cidadania.
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